quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Discretamente nas Alturas


Não sei se tenho vertigens ou se tenho medo de as ter. Mas verdade seja dita, vence o sentir ao pensar. As modas fartaram. A adolescência parou. Os contornos foram despromovidos. O básico cansou. O vulgar importunou-me. E agora quero as Alturas.
Tive de queimar os olhos. Arrisco-me a ficar cego... Mas assim foram as palavras. Assim foram as palavras que me fizeram ver. Azeite a ferver nos olhos e curado com palavras?! Sim. Há quem diga que os milagres existem. Há quem acredite no destino. Há quem morra com um piano em cima. Eu apenas fui curado.
A ânsia agora ganhou forma e assemelha-se a um precipício, doce lugar escarpado. Há, porém, o desejo de chegar lá e o receio de nele caír para sempre. Não um "para sempre" para sempre. Um "para sempre" romanceado. Um "para sempre" de quem está surdo ao destino. Surdo. Surdo! Não mudo.
Hoje estou nas alturas. É estranho... mas estou. Quem me viu e quem me vê... E agora vejo-me e revejo-me porque cego me fizeste ficar. Estive para desprezar. Estive para não valorizar. Dezenas de vezes questionei. Abençoada cegueira. (à tua beira) Pronuncio neste instante que me rendo.
Aproximam-se os dois citados. É a hora que marca agora e pelo caminho houve um vénia (que merecida!) retribuída com um "gosto". E ao virar de uma esquina outro "gosto". E já tudo era pretexto para gostar. Estava calor mas cuidado não apanhes frio.
Mas avancemos. Aproximam-se os dois citados e vêem as alturas. Tensão? Não. Indecisão? Não. Destino? Também não. Trocas de cheiros.. Deixem-se marcas das mãos com tinta nas paredes, como na infância. Sirva-se um cocktail nas escadas. Que confusão de sabores. Do tropical ao Portugal. Do latino ao nórdico. Já só se escuta silêncio e dois pontos verdes que ditam.
A mensagem vertical encontrada recentemente sucede-se vezes sem conta. Mas não estão gastos. E querem-se. (...)

Fruto da romãzeira não sumas hoje nem nunca mais...
És a certeza mais súbita e nas tuas vertigens me procuro.

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