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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Malditas Sejam

Ai esse calor que me hidrata
Ai esse canto que assombra
Ai isso e aquilo e aquilo
Malditas sejam
Ai o cansaço de te ver sentada à espera
Ai o abraço que amarra e desespera
Ai os olhos cor de mel, e os esmeralda, dispenso os azuis
Malditas sejam
Ai as indecisões, os ardores e os espelhos
Ai os pecados, os segredos e as viagens
Ai os ses os mas e os err..
Malditas sejam
Ai os desejos, a pimenta e a canela
Ai a coxa, o pé descalço
Ai o suor que sabe a mar quente
Malditas sejam
Ai salada de fruta que insistes sedenta
Ai licor dos teus lábios que me envenena
Ai estou farto de calão, afogo-me em paixões
Bendita és tu entre as mulheres
Ai disputa. Ai disputa. Ai disputa.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Chinatown

Mar de fruta
Tanta fruta
Quem desfruta
Não diz fruta
E nada. Nada. Nada.

Eu descobri Chinatown
Eu descobri um mundo novo

Há a Lua
Há o Sol
Arte nua
Um lençol
E tudo. Tudo. Tudo.

Eu descobri Chinatown
Eu descobri um mundo novo

Entre dentes
Entrem todas
Noite ardente
Manhã do céu descoberto
Sem estrelas mas com o peito marcado

Eu descobri Chinatown
Eu descobri um mundo novo.

sábado, 16 de julho de 2011

Jurar é um dia voltar atrás

os dias já não são dias.
nem os nomes, nem as canções, nem os lugares, nem as razões.
a agitação sobrevive e alimento-a aos baldes da mais delicada das rações.
momentos. momentos é que são dias. momentos. que encanto. loucura. paz.
vai tudo a eito e em letra minúscula e se pudesse seria mais minúscula ainda.
em janeiro premi reset.
em fevereiro foram ensaios.
em março gravou-se um disco.
em abril magia e primavera.
em maio à luz pedro de tróia.
em junho mudanças e andanças.
em julho só verdades a nú.
em agosto não sei nem me interessa.
em setembro cá estarei.

blogue suspenso por contra-inspiração.

domingo, 10 de julho de 2011

Jogo das Assoalhadas

não há inspiração
procurei-a todo o dia
talvez se tenha perdido
ou metido num saco do lixo por engano.

não há inspiração
talvez houvesse se sim
fosse a resposta às certezas
da ânsia de viver no incerto.

não há inspiração
mas sei que vai voltar
à noite, na varanda? ou simples passos caminhar
pés descalços, entradas e saídas, risos
peripécias, encantos, espelhos, sorrisos
apostas, pequenas lutas, círculos
presentes, desafios, liberdades e saudades (que saudades!)
vive-se agora o que antes não se viveu
que gozo me dá, nem dedos se estalam e o inesperado aconteceu.
passo a passo. passo a passo.
que não se estrague o caminhar.
jogo das assoalhadas aí
jogo das assoalhadas aqui
jogo das assoalhadas, dois delírios
vivo-te agora porque sei que vais acabar.

sábado, 25 de junho de 2011

Hemisfério da Promessa

Valsa morena prestígio espanto
As faces rosadas centelhas de fogo
Nos aposentos suave deleite
Evoco a saudade pálida flor.
Se ouvires o destino guarda alma segredo
Se sorrires tanto há fruta e degelo
Ai quando o canto... vier e se ouvir cantar
Cândido teu. Reflexo aos olhos. Reflexo aos olhos.
Ai ai ai ai... ai ai ai ai ai ai ai...
Nossa Senhora esmalte realce
Os corvos são anjos se os tingires de branco
Só faltará ver se tremes inteira, uma noite inteira
Ou sonho travessia costeira.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Um reflexo feminino

Já que tão bem sabes escrever
Ou que apenas tens bom gosto
Anda. Vem para o Chiado
Não adies esta prece
Anda. Brindemos com chá
Pois só assim fará sentido...
Ontem li-te e inspirei-me
Rasgo as ruas que escrevo e as palavras agitam-se
Tantas vezes quantas eu quiser
Umas dezenas ou centenas
Grande sorriso promessa
Ainda irei receber
Luz podes-me dar?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Pedro de Tróia

Ao fim de vinte e dois anos e meio, a genuinidade encontra-se com o carácter.

A verdade com a razão. O exterior com o interior. A realidade com os pés no céu. O esclarecimento de tudo o que estava mal resolvido. A clareza de tudo o que eram águas turvas. A existência encontrou o lugar. A existência ganhou o lugar. A existência celebra-se com a descoberta. Termina, assim, ano e meio de instrospecção.

Eis o nascimento de Tróia.

domingo, 17 de abril de 2011

Que se lixe a Geometria

Os círculos são vícios, repetições, destinos, tendências, previsões.
Os triângulos são fatias, três recantos, símbolos de todos os dias.
Os quadrados são quatro opiniões redundantes, não se passa nada.

Para o bronze? Na pedreira.


De comboio é xunga? A pedreira está mais perto. É um tédio para estacionar o carro? Na pedreira não há trânsito. Detestas atender o telemóvel na praia? Na pedreira não há rede. O gentil senhor da bolacha americana engana-se nos trocos? Na pedreira nem lá passa. A água está gelada? Na pedreira não tens mar. Andas carente e nostálgica? Na pedreira tens pó. Embirras com o vento? Na pedreira nem o sentes. Um bikini igual ao teu? Na pedreira estás sozinha. As crianças incomodam? Respondo da mesma maneira.

Se o que queres é bronze, escolhe antes a pedreira.

sábado, 19 de março de 2011

Ela e o Rio

Sinto o rio. Estou feliz. Não rio mas sorrio porque sei que fala p'ra mim.
É o rio. Instala-se a desordem ruidosa quando aponto o olhar à corrente que dança.
Está frio. Sei porque sentada em pedra está e o céu gélido azul. Claro. Suave. Inverno talvez.
E antes Inverno que Inferno há calor que faz ruir.
E Inverno repito, digo-te eu, sentada num sossêgo que inspira e espelho de paz de alma... és quente quando contemplo o rio e confortas-me tu assim.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Passagem de Ano? É em Abril.

Já a genialidade do António Variações ditava:

"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar"


Pois bem,

O tempo urge. A cada instante a despedida do que foi feito, dito e pensado. Despedida do que se ouviu, viu, do que se perdeu ou ganhou. Despedida do que não se quis, ou não se precisou, ou não se achou, por bem!.. dizer.
Tanta despedida... tanta despedida... sem lamentos meus senhores! De cores vivas se tinja o coração.
As vozes lamentosas incomodam o caminhar. Pretensiosos: que se danem. Mas danem-se bem.
Talvez fosse de interesse organizar um lanche, um jantar... um banquete! Isso. Um banquete! Elas conversariam nos sofás. Os do costume na cozinha. O previsível ao piano. Os indefinidos contemplariam tudo o que de mais desinteressante os pudesse rodear. Os excêntricos. Os bobos num canto. Os tolos no outro. Os trovadores na varanda. E um grupo que aparecerá à pendura mas que será bem-vindo! Depois há os normais. Esses não serão convidados.
Enfim, todos nos sentamos à mesa. As falsidades ficam nuas com o escorregar do vinho. Brindes ao cinismo.
Passado dissecado. Sobrevivem as boas lembranças, memórias. Uma vénia à nostaliga.
Os ponteiros estão parados. Em Abril começa a nova andança, a bonança. Foi o ano das graças e desgraças, que dissecado está porque o quis. Talvez tenha ficado resumido a semanas, ou dias até... Mas ficou bem picotado. Por fim recordado. Ao pormenor.
Encerra-se um ciclo. Aqui fica declarado. Não para que seja compreendido ou que as palavras criem mossa. Apenas para cortar relações com tudo aquilo que ficou pó e a mais.
Endereços e casa: tudo ao ar. Adeus gentes alheias.
Renovar para situar. Foi a descoberta da genuinidade e merece celebração, paz, devoção. Chamemos-lhe instalação na harmonia e tudo começa a fazer sentido. Tudo nas melhores condições e "todo o dia é dia de viver."

INÍCIO. LARGADA. FUGIDA.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Porque vale a pena estimar

Estimem pedaços que sejam bons. Estimem encontros. Estimem reencontros. Estimem os segundos que antecedem despedidas. Estimem caminhos. Estimem livros. Estimem cartas. Estimem fotografias. Estimem a roupa. Estimem recordações. Estimem discos. Estimem...
Estimem sorrisos. Estimem o calor. Estimem desamores, santas nos andores, estimem as flores e todas cores.
Preciso de ar




































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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Recompensa

Sei que muito me cruzei
Andei à solta e um braço evitei
Resta que ninguém compreenda
Ao estado em que quis ficar.
Meticuloso ser
Em que demais pensei
Tirando horas ao sono
Rugindo perdendo o que dei
Os segredos...
Gostos súbitos e repentinas mudanças
Ontem lá sempre ficaram
Sacudidas nunca vingaram
De certo nunca errei
E certo sei que pequei
Mas a história reside na grandeza do que não se viveu
Ao tempo que ainda hoje recordo
Tantos corredores me cruzei
Ou tantas mensagens lutei
Sem que me libertasse
Guerra que vivi e durou intenso combate de razões e emoções
Um dia vou perceber...
E um dia vou aprender.
Rasgo uma camisa.
Recorto o passado que interessa
Anseio chegar até quem

Uvas e outros frutos dará
Mas de livre e bondosa vontade.
Devo ser louco não sei
Isso de ser verdadeiro
Antes de história viver
Desde que em recantos se escreva
E saiba como escrever
Cobiça e tudo mais
Lavrarei palavras dia tarde noite
Até que sejam frases
Reescrevo-as se fôr destino
Ouro guardo para oferecer.
Mexam-se.
Emergência, vontade de afirmar
À maneira que bem sei
Tenha lata, sentido ou não
Um dia terei razão.
Abraço sentido, escrito,
Frieza distante ímpar
Retorno ao dom da palavra
Embelezo olhos desse olhar
Não se acanhem de ouvir verdades
Temam que elas perdurem.
Eu sou palavras com Norte.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um prato que se serve quente

Soube um dia que alguém não sabia escolher onde jantar
Adivinha-se eu tal feito, arquitectava uma admirável massa.
Restou-me apenas ter de tirar do bolso uma bússula
Apressar-me e descer a Rua do Carmo
Mas sempre com um ar confiante de quem sabia o destino.
Ao chegar ao deserto Rossio, Itália chamou por mim
Tanto chamou que tiros de um artista escutei até ao fim.
O final foi um passado que hoje teria invertido
Sem sequer pestanejar (e que belo termo)
Guardo num caderno o que disso ficou
Uma vez que me tocou
Enquanto que cromo não sou
Repetiría tal jantar
Repetiría no presente mas destino trocado
Algum dia saberei se fui, enfim, abençoado.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Recado ao deitar

Ocultas-te não cedendo
Medo de te revelares
Erro grosseiro, compreensível
Crias sede ao me encantares.

Aguardo-te em terras dos meus vícios
Aguardo ao Sul regresses
Que nessa volta em mim embatas
Sem ímpeto ou ruído
Com céu azul e olhos verdes
Retrato perfeito nessa tua moldura morena.

Quem és não sei, mas sei que sei
Ter mil pretextos para saber quem és.

Perspectiva Cavaleira











Avistam-se cinco rapazes
Que avistam um mar de gente.

Confronto de vistas
Reflexos de som
Que em faces esbarra
E que quando sorriem
Atinge o esmalte
Brilhos que nos aquecem.

Primeiro sujeito
Ondas ao peito
Serenidade colossal
Maracas e não matracas.

Segundo sujeito
Cor da casca da castanha
Relógio de bom destaque
Primeira fila

Vista dirigida
Discreta minúcia em pé
Mesmo envolto na bandeira
Perspectiva cavaleira

Ondas inocentes
Agitação do ânimo
Regime autoridade
Cedem num ponto de encontro.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Primavera Selvagem no Teu Chiado

Sentado espero a Primavera
Que libertará as primitivas ondas
De um estado senvível
Que se avizinha quente

Não condeno o frio que paralisa
Não condeno a chuva que destrói almas
Não condeno o vento que atormenta
Não condeno mas que se danem.

Rogo que venham os telhados vermelhos
Ao fundo de um miradouro qualquer
Um Sol brilhante que ofusque
Uma arajem fria que insista em não ir embora
Passaros que migrem
Rebentos nas plantas
Coisas que nos acordem do tempo gasto a hibernar.

Venham os novos tempos














Suaves silvos que contornam
Menina de longos cabelos dourados
Coberta de rosas vermelhas
Num longínquo entardecer

Corramos pois nunca julguei
Fazer de ti que deslumbras
Pura, cândida, imaculada
Herdeira presuntiva da coroa

Maior desengano reside
No pretérito que ficou
Nas baladas que cantava
À pérfida mulher trigueira.

Inês de Castro

Na fonte não te vejo
Perdoa os meus olhos
Em mim guardo aquele beijo
A sombra e o teu cheiro.

Arrepia a ilusão
Não digas não
Uma muralha
Protege-te em vão

A mim, venham as fadas
Que à noite não há perdão
Toque de sinos no erguer do Sol
Agitação da manhã

Descubro-te perto de mim
Fundo da fonte
Marcaste o chão.